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OMS recomendará ações da Lei SECA para outros países

Em: 15/10/2009
A Organização Mundial da Saúde (OMS), que cita a campanha permanente da Lei Seca como exemplo em conferências, está sendo consultada por outras nações de Língua Portuguesa interessadas em adotar política de trânsito semelhante a do Rio de Janeiro e de outras capitais brasileiras, com o objetivo de frear o número de mortos e feridos ao volante. No dia 28, representantes da OMS estarão em seminário, na Barra da Tijuca, para conhecer os resultados. Em sete meses de blitzes, foram menos 2.477 mortos e feridos no trânsito na cidade do Rio, segundo cálculos da Subsecretaria Estadual de Governo.
As ações que estão chamando atenção mundo afora ajudam a evitar que menos pais sofram a dor que o mecânico Fernando Moura de Abreu, 45 anos, experimenta desde a madrugada de domingo. Nesse dia, sua filha, a estudante Monique Evelin Figueiredo, 23, morreu porque o motorista do carro em que estava apresentava sinais de embriaguez. "Transformaram o carro numa arma que matou minha filha", desabafou. O veículo capotou e o condutor sobreviveu.

"Numa palestra recente, um especialista de trânsito americano ficou superentusiasmado com o projeto e quis conhecer os detalhes. Isso mostra que em outros países as pessoas já estão atentas ao nosso êxito. Mas ele só ocorre porque as operações viraram política de governo permanente, ocorrendo todos os dias da semana", lembra o coordenador das operações, o subsecretário estadual de Governo Carlos Alberto Lopes.

O diretor do Departamento de Violência da OMS, Etienne Krug, já confirmou presença no Seminário Internacional de Traumas no Trânsito, no Windsor Hotel, assim como governantes e especialistas de várias partes do mundo. Na ocasião, a Secretaria de Governo fará apresentação sobre a Operação Lei Seca, que segunda-feira completa sete meses.

Consultor da organização, o ortopedista Marcos Musafir disse que pelo menos sete dos 10 países que falam português, como Moçambique e Timor-Leste, procuraram o organismo internacional demonstrando interesse nas ações feitas na capital e Região Metropolitana. "Eles buscaram dados para tentar adaptar à sua cultura e executar alguma ação. O Brasil tem sido, realmente, um bom exemplo para isso. Outros países querem aprovar a mesma legislação que temos aqui", afirmou Musafir, referindo-se à lei federal 11.705, conhecida como Lei Seca, que completou um ano em 20 de junho e trouxe mais rigor na punição a motoristas alcoolizados.

Segundo o ortopedista, a OMS, que tem 193 países-membros, não obriga, mas sim recomenda, a adoção de experiências como a do Rio às nações que a consultam com o intuito de implantar campanhas para o controle do trânsito nas grandes cidades.

"É como um conceito de saúde no aproveitamento das boas experiências. Se um tratamento de determinada doença dá muito certo em um lugar, nós o replicamos para outro lugar onde a mesma doença é combatida", comparou Musafir, enumerando os pontos fortes das operações Lei Seca que se traduziram em números positivos na redução de acidentes e mortes. "O mais interessante é que elas acontecem de segunda a segunda em pontos aleatórios e tem a participação de cadeirantes vítimas e estudantes de Medicina na conscientização", elogiou Musafir.

Antes que sua filha Monique Evelin Figueiredo, 24, se torne só um número nas estatísticas de morte em acidentes, o mecânico Fernando Moura de Abreu, 45, sonha em ver preso o motorista Luiz Gustavo dos Santos, 25, suspeito de dirigir alcoolizado. A Comissão Cidadã do Detran-RJ informou que Luiz Gustavo poderá ter o direito de dirigir cassado por até dois anos. Na 77ª DP (Santa Rosa), o delegado Lauro Rangel explicou que Luiz vai responder por homicídio culposo e lesão corporal."Se for comprovada a embriaguez, a pena dele pode aumentar", explicou.

Domingo, Luiz Gustavo guiava o Palio LNM-1323, que caiu numa ribanceira da Rua Fagundes Varella, em Niterói. Ele e mais dois amigos se feriram levemente. Com 21 pontos na carteira de habilitação, Luiz Gustavo dirigia sem o documento, apreendido numa operação da PM sexta-feira. "A irresponsabilidade dele não pode ficar impune, caso contrário algum outro pai terá que enterrar seu filho", lamentou Fernando.


O feriadão foi menos violento nas estradas
Houve queda de 20% nas mortes nas rodovias federais que cortam o Rio durante o feriadão da padroeira. A comparação foi com 7 de setembro. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, caiu em 11,8% o número de acidentes, mas o de feridos subiu 10%. Entre sexta e segunda, foram 190 colisões, com 99 feridos e 6 mortos. No feriado anterior, foram 204, 91 e oito. Em todo o País, a redução de mortes chegou a 10%, e a de acidentes e feridos, 4,8% e 6,5%, respectivamente.





Fonte: Portal Terra