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Perigo no trânsito: celular ou música?

Em: 13/10/2009

Estudos variados revelam que é a distração de condutores um dos elementos que mais contribui para a ocorrência de acidentes no trânsito, estimada responsável por quase metade das colisões ocorridas, usualmente, quando um evento causa variação de atenção na tarefa primária de dirigir. Engajando-se em variadas atividades secundárias enquanto estão dirigindo, que variam desde comer à interação com passageiros, muitas das quais são potencialmente distrativas, o dramático aumento no uso dos telefones celulares, e outras tecnologias acopladas aos veículos, como, por exemplo, sistemas de entretenimento e de navegação, têm elevado, nos últimos anos, a preocupação com a distração dos motoristas, bem como, de seus efeitos sobre reconhecimento do perigo e controle do veículo.

Quatro tipos de distração concorrem para isso: visual, auditiva, biomecânica e cognitiva. Distração auditiva ocorre quando um condutor, momentânea ou continuamente, focaliza sua atenção em sons, ou sinais auditivos, em lugar do ambiente nas rodovias. Quanto mais demandante uma tarefa auditiva, maior o efeito no desempenho do motorista. Nesta mesma esteira conceptiva, ouvir música, assim como, manter uma conversação celular, têm sido também fontes potenciais de distração do motorista, aumentando a demanda para a atenção condutora. Evidências, indicando que o uso do celular torna os padrões de direção inseguros, também associam a elevação no risco de acidentes e lesões às perigosas distrações da atenção. Como fatores que provocam a desatenção nunca ocorrem isoladamente, tarefas secundárias ao dirigir, como as já citadas, ao coincidirem com o ato de dirigir, geram perigo extremo no trânsito.

Recente estudo explorou os efeitos da distração provocados tanto por uma conversação mantida no celular, quanto por ouvir música enquanto dirigindo, sobre o tempo de resposta e o tempo de reação numa tarefa de frenagem simulada. O motorista, numa sala de simulação, deveria tirar o pé do acelerador ou apertar o pedal do freio, o mais rapidamente possível, após a ativação de uma luz de freio. A tarefa de frenagem foi realizada em seis condições experimentais diferentes envolvendo combinações entre conversar no celular e/ou ouvir música com volume variado. Dados indicaram que a conversação tornou mais lento o tempo de resposta, enquanto a música não teve qualquer efeito. Do mesmo modo, o tempo de reação foi reduzido pela conversação no telefone.

Embora o tempo de resposta tenha sido, significativamente, diferente para homens e mulheres, não houve interações entre sexo e condições envolvendo música e celular. Logo, conversar num celular, enquanto dirigindo, coloca uma demanda significativa sobre condutores, distraindo a concentração na operação segura do veículo e em eventuais perigos que possam surgir no ambiente de trânsito.





Autor: Professor Doutor José Aparecido da Silva



Fonte: Gazeta de Ribeirão