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Estudo do Detran indica que 89% dos entrevistados aprovam a lei seca (Lei que salva vidas)

Em: 23/01/2009Estudo do Detran indica que 89% dos entrevistados aprovam a lei seca (Lei que salva vidas)

A Lei Federal 11.705/08, a lei seca (lei que salva vidas), não é fiscalizada com o rigor necessário no Distrito Federal. Essa é a opinião da maioria das pessoas ouvidas em pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Segurança no Trânsito, a pedido do Departamento de Trânsito (Detran) do DF. Dos 796 entrevistados, 81% acreditam que hoje a fiscalização da lei seca é insuficiente. A tolerância zero à mistura álcool e direção %u2014 que tanta polêmica causou quando a legislação entrou em vigor %u2014 agora é aprovada por 89% das pessoas. E 67% não acreditam existir quantidade segura para beber e pegar o volante depois.

Os questionários foram aplicados entre novembro e dezembro do ano passado, em 26 regiões administrativas. A pesquisa, a que o Correio teve acesso com exclusividade, ganha divulgação no momento em que o Detran revela o balanço dos acidentes fatais e das mortes nas vias nos sete meses de lei seca. Os dois indicadores continuam em queda. Entre 20 de junho de 2008 e 18 de janeiro de 2009, houve 54 acidentes a menos que no mesmo período de 2007. Caiu de 275 para 221, redução de 19,6%. Quanto às vítimas, caíram de 297 para 245, ou seja, 17,5% a menos.

Na pesquisa, o que mais chamou a atenção do diretor-geral do órgão, Jair Tedeschi, foi a mudança de comportamento do condutor. Antes da lei seca, 54% afirmavam que bebiam e dirigiam. Depois dela, o índice caiu para 29%. %u201CIsso mostra que boa parte das pessoas deixaram de beber e dirigir. Agora, o nosso foco é em cima dos que ainda admitem desrespeitar a lei. Como? Campanha, fiscalização e mídia.%u201D

Bom senso
Prova de que muita gente ainda ignora a tolerância zero à mistura álcool e direção é o balanço divulgado pela Gerência de Fiscalização do Detran. Só este ano houve 137 casos de motoristas flagrados alcoolizados. Desde que a lei entrou em vigor até o dia 19 de janeiro de 2009, foram 1.749 autuações, média de oito por dia.

Quanto às críticas em relação à falta de fiscalização, Tedeschi disse não ter se surpreendido. %u201CAs pessoas têm razão. É necessário haver mais fiscalização e é isso que teremos%u201D, garantiu. Tedeschi citou o concurso do Detran, que deve ser concluído em março, e o da Polícia Militar, previsto para os próximos meses. Ambos reforçarão o efetivo que atua nas ruas.

O tatuador Vander da Cruz, 27 anos, vai sentir o peso da punição por beber e dirigir. Abordado por policiais militares ao sair de um restaurante, ele se recusou a fazer o teste do bafômetro, mas admitiu ter bebido. %u201CTentei apelar para o bom senso, mas não teve conversa%u201D, disse. Vander desistiu de apresentar o processo de defesa. Pagou a multa e aguarda a condenação pelo órgão. %u201CAcho que a lei é correta e o que aconteceu comigo tem acontecido com outros. Percebo uma mudança de comportamento entre os meus amigos. Mas tem quem se arrisca e não está nem aí%u201D, constatou.

Reflexos lentos
Presidente da ONG Instituto Brasileiro de Segurança no Trânsito, David Duarte Lima, que também é professor da Universidade de Brasília (UnB), surpreendeu-se com a aprovação maciça da lei. %u201COuvimos muitas críticas, mas a pesquisa deu voz a uma parcela silenciosa da população%u201D, comentou. Para ele, um dos dados preocupantes é que 29% admitiram beber e dirigir. %u201CSignifica que um a cada três ainda tem esse comportamento. Está longe do ideal%u201D, defendeu. Segundo ele, um dos efeitos do álcool é reduzir os reflexos. %u201CDirigindo a 60km/h, se o motorista retarda em um segundo para frear, o carro anda 17 metros. Pode ser a diferença entre atropelar ou não uma criança%u201D, afirmou.

A pedido do Correio, especialistas avaliaram os dados da pesquisa. Para Fernando Cabral, da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), os indicadores não surpreendem. %u201CO resultado seria o mesmo se houvesse fiscalização quando o limite era de 0,06 decigrama%u201D, disse. Cabral chamou a atenção para o fato de 31% dos entrevistados terem dito que existe um limite seguro para beber e dirigir. %u201CÉ isso que defendemos desde o começo. As pessoas que bebem irresponsavelmente e dirigem, continuam causando acidentes de trânsito%u201D, afirmou. A Abrasel entrou na Justiça para acabar com a tolerância zero. A ação aguarda julgamento do STF.

O diretor da Associação Brasileira de Medicina de Trafégo (Abramet), Alberto Sabbag, contesta os argumentos da Abrasel. Segundo ele, estudos da área médica mostram não haver nível seguro para a combinação álcool e volante. %u201CE não houve desemprego como a Abrasel argumentou. Só se foi desemprego de coveiro, nas funerárias, e nas fábricas de cadeira de rodas. Essa pesquisa mostra o amadurecimento do brasileiro%u201D, disse.



Radiografia das infrações

O desrespeito ao sinal vermelho já é a principal infração cometida pelo brasiliense em 2009. O cinto de segurança continua sendo ignorado por muitos. E circular sem os documentos obrigatórios tornou-se uma rotina. É o que revela o primeiro balanço das operações realizadas pelos agentes do Detran este ano. Até o dia 19, foram emitidos 1.395 autos de infração por conta do avanço de sinal. A falta de cinto foi flagrada 728 vezes e o esquecimento da documentação, 702.

Outros 380 flagrantes referem-se a condutores que falavam ao celular enquanto dirigiam. Segundo Fonseca, as autuações por falta de documentos são reflexo das blitzes de lei seca e do radar conhecido como OCR. O aparelho filma a placa do veículo, manda a informação para uma central do Detran e o sistema aponta em tempo real se o carro está com a documentação em dia. Apenas os veículos irregulares são parados na blitz.

fonte: Correio Braziliense